A TEORIA DA DEGENEREÇÃO PELAS REDES SOCIAIS (*)

“A teoria da degeneração é uma perspectiva pessimista para o futuro da civilização ocidental, visto que o progresso começou a trabalhar contra si mesmo. Os mais preocupados com a degeneração são os progressistas, diferentemente dos conservadores, defensores do status quo”.


Jair Lorenzetti Filho


Estamos passando por um período de profundas mudanças na humanidade, decorrentes das inovações tecnológicas. A tecnologia de informação, principalmente após a popularização da internet, propiciou uma facilidade de acesso a informação jamais vista na história. Além disto, um subproduto da internet, as redes sociais, proporcionaram a praticamente qualquer pessoa, a se tornar fonte de informação.


Enquanto que a maior parte da tecnologia de informação, através da internet, se demonstrou boa para a humanidade, trazendo facilidades jamais vistas antes, as redes sociais têm de demonstrado como um dos maiores problemas sociais do início do século XXI.


Conforme já havia previsto o filósofo Umberto Eco, as redes sociais deram alcance a pessoas que, nas mídias tradicionais, nunca o tiveram nem tão pouco o teriam. Todas a resignações, recalques, frustrações, preconceitos, inveja, fracassos, desinformação e ódios irracionais de pessoas de nenhum alcance social, passaram a ter o efeito borboleta. Se antes os “compadres” se limitavam a bares de esquina onde, quando incomodavam outros com “ofensas”, eram expulsos e acabavam dormindo em alguma sarjeta, mas agora eles têm as redes sociais para beber e postar do local que estiverem. A mesma coisa aconteceu com as “comadres”, que antes se reuniam em cabelereiras de bairro, daquelas no fundo do quintal proprietária, fazendo todo o tipo de “fake news”. Agora elas o fazem dos seus celulares, nas redes sociais, de qualquer lugar. E todos eles com alcance globalizado.


Agora, se uma “ofensa” de um compadre, ou a “fofoca” de uma comadre “viralizarem”, elas ganham o mundo em segundos.


E o problema não para por aí, pois antes os idiotas, apesar de serem a maioria, como dizia Nelson Rodrigues, se reuniam em grupos pequenos, agora eles ser reúnem em grupos grandes (bolhas de filtro) nas redes sociais e atuam em “manadas estourando” nas linhas do tempo (câmeras de eco). E os idiotas vêm com todo o pacote de “ofensas” e “fofocas” que antes eram restritos aos bares e cabelereiras. Tudo com efeito borboleta, em um mundo predominantemente formado por idiotas, que curtem e republicam tudo isso.


As inteligências artificias das redes sociais tem “consciências”, compostas por:

  1. ID = Big Data,

  2. SUPER EGO = Deep Learning,

  3. EGO = Machine Learning.

Basicamente estão programadas para detectar grandes volumes (inclusive de idiotas), reuni-los nas bolhas de filtro e modula-los nas câmeras de eco, entre outras convergências virtuais interligadas com aplicativos e smartphones. Isso sempre visando aumentar o número e engajamento deles nas redes sociais. Lá eles se chamam usuários (como os dependentes de drogas, no caso serotonina), só que além de clientes, eles desempenham papel de funcionários (publicando nas redes sociais) e produtos (com suas informações vendidas para anunciantes). As inteligências artificiais não passam de “caça-níqueis” e as redes sociais de “cassinos”. Claro que, como nos “cassinos” reais, apesar de alguns apostadores ganharem, a grande maioria só perde, senão o “cassino” fecha.


Audiência é poder, poder é dinheiro e dinheiro é política. Isto é tão certo quanto o dia suceder a noite.


As empresas por trás das redes sociais se chamam “big techs”, que são empresas de tecnologia de informação com inúmeras pernas, como uma centopeia, todas ligadas ao mesmo corpo. As redes sociais são apenas uma das pernas. No caso da Apple, por exemplo, ela não tem rede social representativa, mas tem o hardware (smartphone, TV, tablet ou computador) e o software (IOS e aplicativos). Já o Google tem o software (Android e aplicativos) e funciona em todos outros hardwares que não sejam Apple (smartphone, TV, tablet ou computador). E tanto o IOS quanto o Android, com a “internet das coisas” vão estar em tudo que for eletrônico em sua casa e veículos nos próximos cinco anos. Torço para que o Windows ou a big tech dele, a Microsoft, façam companhia para estes dois leviatãs tecnológicos, pelas características mais éticas, do “compliance” desta empresa.


Como tudo hoje em dia, estas big techs tiveram seus capitais abertos (IPO) no mercado de capitais global (bolsas de valores). Vou fazer uma explicação simples para leigos. O(s) proprietário(s) de uma empresa, resolvem abrir o capital das mesmas por diversas razões:


  1. Ganhar muito dinheiro rápido sem o risco de negócio,

  2. Aumentar investimentos e o tamanho da empresa com novos sócios investidores,

  3. Continuarem na empresa, como CEO, mesmo sem o maior percentual acionário, ganhando ainda mais,

  4. Trazerem mais sócios estatutários, com visões e participações em outros mercados, para “ajudar”,

  5. E tudo mais que signifique ganhar mais dinheiro, mais rapidamente com menor risco.


Assim estas big techs, em geral, além de seus fundadores, têm em seus conselhos de administração (comando) diversos outros acionistas estatutários com direito a voto, que podem ser outras empresas, pessoas e fundos. Nestes fundos encontramos investidores do mundo inteiro, incluindo as oligarquias de países de regimes não democráticos da Europa, Ásia, Oceania, Oriente Médio, Américas e principalmente os bilionários conservadores da alt right norte americana. Também existem acionistas sem direito a voto, os especuladores, que compram e vendem ações o tempo inteiro ao redor do mundo. Muitos especuladores são pessoas comuns ou “boutiques” / "bancos" de investimento com suas carteiras. Mas também há entre eles as oligarquias conservadoras e fundos globais, que especulam diariamente em todo planeta.


É claro que no Brasil, com nosso capitalismo de compadrio, isso não é bem assim, como foi o caso do Grupo Linx. Sem ser uma empresa de capital aberto e muito menos representativa nem nacional nem globalmente na época, foi eleita pelo BNDES (no lulopetismo) e recebeu muito dinheiro público com carências e juros que nem uma mãe faria para o filho. Com este dinheiro ela comprou quase todos os concorrentes (base de clientes basicamente) e criou um quase monopólio com a TOTVS (outra eleita pelo BNDES), no mercado brasileiro. Em seguida fez IPO (abriu o capital) recebendo sócios estrangeiros internacionais e mantendo o BNDESPar como sócio, com 25% sem direito a voto, como um dos sócios por longo período. Os fundadores continuaram como sócios e executivos. Recentemente compraram a parte da BNDESPar e pouco tempo depois anunciaram que a empresa seria vendida a uma big tech internacional, causando a disputa com os sócios minoritários e / ou sem direito a voto, noticiadas pela mídia especializada. E os fundadores continuam por lá, salvo alguma novidade que eu ainda não saiba. Isso é Brasil, mas no mundo civilizado não funciona exatamente assim. Evidentemente que apesar de ter prometido, o Bolsonaro não abriu a “caixa preta” do BNDES e tão pouco investigou os negócios realizados durante o lulopetismo.


Basicamente as redes sociais têm servido para modular e por fim manipular as informações em todo planeta, inclusive aquelas que geram movimentos nos mercados de capitais (bolsas de valores no caso). Deste modo que os “donos” das inteligências artificiais têm como influenciar os mercados, melhor que informações privilegiadas, é se decidirem previamente onde especular e ganhar com toda segurança.


E desde o começo deste século, um gênio pouco conhecido, mas muito copiado (e nunca citado, como eu), da política quântica (com tecnologia de informação via internet), chamado Gianroberto Casaleggio (já falecido) criou um modelo chamado democracia direta, que ele mesmo aplicou, em parceria com o comediante Beppe Grillo, na Itália, com muito sucesso. Casaleggio promoveu a web como um meio de comunicação política, culminando com a criação do M5S (Movimento 5 Stelle), que foi copiado e aplicado posteriormente por todos os representantes políticos de movimentos conservadores em todo o planeta. Incluindo o “guru” fake Steve Bannon, seu comediante Trump, o Rasputin da Virgínia e seu comediante, o capitão Romanov, com suas quatro filhas e um filho.


Usando o modelo de democracia direta, da Casaleggio Associati, políticos e seus “gurus” passaram a utilizar as redes sociais, com auxílio de inteligências artificias, sistemas de marketing digital, automações, empresas de marketing digital turbinados por um exército de sockpuppets e trolls remunerados, para a democracia ciborgue (a democracia direta adaptada pela extrema direita conservadora para um nazifascismo digital). A munição da democracia ciborgue é a pós-verdade, que encampa:


  1. Fake News,

  2. Calúnias,

  3. Difamações,

  4. Fraudes,

  5. Informações roubadas,

  6. Cancelamentos,

  7. Destruição de reputações,

  8. Cyberstalking,

  9. Cyberbullying,

  10. Doxing,

  11. Ameaças,

  12. Teorias conspiratórias,

  13. Anonimato inconstitucional,

  14. E uma série imensa de crimes virtuais através das redes sociais.


Assim, os agentes políticos virtuais, usando recursos tecnológicos de marketing disponíveis em agências e nas próprias redes sociais, desde que contratados, passaram a usar as bolhas de filtro e câmeras de eco diretamente, modulando e manipulando justamente a maioria das pessoas composta pelos idiotas de plantão nas redes sociais.


A mesma turma dos “bares e cabelereiras”, agora nas redes sociais, trazendo no pacote todas a resignações, recalques, frustrações, preconceitos, inveja, fracassos, desinformação e ódio irracional passou a enxergar os “mitos” populistas, criados pela democracia ciborgue, de uma maneira quase religiosa, bem maniqueísta, bidimensional e dualista, facilmente moduláveis e manipuláveis virtualmente. Assim os agentes políticos da democracia ciborgue modulam seus “cardumes” e manipulam os “estouros de suas manadas” pelas redes sociais, com efeito borboleta garantido pelas inteligências artificias dando muito alcance a tudo isso.


E nas redes sociais, seus sócios institucionais, patrocinadores etc. juntamente com os agentes políticos, muitas vezes com os mesmos “sócios institucionais”, faturam muito, ignorando as leis nacionais, ética e até o bom senso. Tudo com total impunidade pois, apesar de responderem legalmente em suas sedes nos países de origem, na prática são empresas “sem fronteiras”, que impõem suas próprias leis virtualmente na forma de ”Regras e Políticas” habitualmente hipócritas e muito frequentemente ilegais, nos países que operam de maneira quase “pirata”.


Deste modo oligarquias conservadoras, políticos nazifascistas e idiotas populares, que se restringiam a seus círculos fechados, sem encontraram nas redes sociais, em uma relação BDSM, na qual os “mestres” (oligarcas e políticos) e “escravos” (usuários idiotas), vivem em uma relação de submissão subliminar passiva, nas redes sociais, com os escravos sempre gritando muito.


Por conta disso, as piores coisas da humanidade, estão sendo “desenterradas”, como negacionismo, preconceitos, fundamentalismos, nazifascismo, populismo etc. e voltaram a vida como “zumbis” virtuais, devoradores de “cérebros”, o que eu chamo de MAV (Meliantes Anônimos Virtuais), os quais são os legionários (muitos de aluguel) da democracia ciborgue.

Os sonhos dos velhos “hippies” da tecnologia de informação (cyber-utopistas), que criaram a internet, para “trazer luz” a humanidade, de fato está levando a uma nova era das trevas. Capitalistas selvagens da geração Y, como Jack Dorsey, Mark Zuckerberg e etc. não têm limites em suas ambições e práticas, ao contrário de seus antecessores da geração X e baby boomers, menos pragmáticos e mais idealistas. E como eu disse, a humanidade ainda não teve tempo de organizar entidades globais e legislações para regulamentarem as redes sociais, ou seja: são “terra de ninguém”.


Para os ricos conservadores, este cenário é extremamente positivo, basta ver que com as redes sociais a desigualdade global acelerou rapidamente em todo planeta. Já para os conservadores “populares” a vida só piora, mas uma nova “fé” movida a tecnologia, os faz acreditarem fanaticamente que está tudo melhorando. E ao contrário dos nazistas e fascistas originais, que eram ateus, muitas religiões, principalmente as evangélicas de terceiro mundo (empresariais), são aliadas da democracia ciborgue, tendo seus “pastores” como influenciadores.


Em diversos outros campos, que não nas redes sociais, a tecnologia de informação, com a internet, trouxe, está trazendo e trará inúmeras melhorias para a humanidade, infelizmente com a redução de empregos, com as inteligências artificiais e robóticas incluídas neste progresso. Mas é uma característica intrínseca da evolução, inclusive no campo da biologia.


Sem dúvida o pior efeito da tecnologia de informação e da internet são as redes sociais e as pessoas com média, pouca ou nenhuma qualificação cultural e / ou intelectual, atuando nelas. Estamos vivenciando uma degeneração no tecido social, causada diretamente pelo progresso, para o qual a maioria das pessoas ainda não estavam e nem estão prontas para vivenciar, sem falar nos facínoras das oligarquias conservadoras e seus políticos conservadores, sempre prontos para movimentos retrógrados para se favorecerem.


A tecnologia evoluiu rápido demais para a humanidade no campo das relações humanas.


REFERÊNCIAS


(*) Prezados “leitores” jornalistas e afins, estou realmente cansado de ser usado como fonte jornalística e também de informações sem nunca ser citado. Peço que tenham o profissionalismo, respeito e ética de me citar como fonte, pois realmente ser “pirateado” intelectualmente me incomoda muito. Isso não é meu trabalho, é apenas um hobby, mas ser reconhecido por ele é algo que eu prezo muito. Grato!

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