AS MAITACAS DE TWITTER!

Atualizado: Fev 13

"Maitaca" origina-se do termo tupi mba'é taka, que significa "coisa ruidosa, barulhenta".

Eu, possuo um perfil secundário (Bot) na rede social Twitter, a rede social dos piados (o nome da rede social, em inglês, significa gorjear. A ideia é que o usuário da rede social está "piando" pela internet), para analisar alguns dos principais perfis brasileiros disseminadores de pós-verdade e fake news. Este usuário é integrado com uma automação algorítmica que desenvolvi que faz archiving (na tecnologia da computação , para armazenar informações eletrônicas que você não precisa mais usar regularmente) das informações dentro de um cubo de BI (Business Intelligence) parametrizado o qual levanta os perfis mais ativos, as relações entre eles, as palavras mais usadas, a associação entre palavras e usuários, o timing da utilização das palavras pelos usuários e uma série grande de associações que são cruzadas dentro do cubo 3D.


O grupo de perfis bolsonaristas é de longe o mais ativo e “barulhento” dos que avalio no Twitter. Ele é composto basicamente por mídias fakes, usuários anônimos, pessoas ociosas e perfis automatizados. Basicamente por perfis que certamente são remunerados direta ou indiretamente para sua militância full time no Twitter.


Você pode ver quais são alguns deles neste link: Maitacas bolsonaristas.


Com a nova filosofia de o Twitter de manter as bolhas isoladas, com câmaras de eco também isoladas evitando dos embates de opiniões, assim como as maitacas reais, as virtuais “Geralmente, voam em bando de seis a oito indivíduos, por vezes até de cinquenta aves quando a pós verdade é muito abundante”.


Vendo estas maitacas virtuais a primeira lembrança que me vem à mente remete a minha avó. Quando eu ficava aos sábados na casa dela, com cerca de uns sete anos, às vezes me levava na “cabelereira” do bairro por falta de uma babá, onde eu tinha que esperar pacientemente minha saudosa vovó cuidar do look, enquanto conversava com mais de uma dezena de outras “vovós”. Vocês não têm noção quanto elas falavam e os tipos de assuntos sobre o que elas falavam. Muitos assuntos religiosos, muitos boatos sem fundamento (uma pós-verdade de antigamente), muitas conspirações sobre tudo o que vocês conseguem imaginar (vacinas, modernidade etc.) e muita fofoca fútil. E as vovós passavam horas no salão de beleza sem parar de falar (todas ao mesmo tempo) por um minuto. Naquela época havia uns secadores de cabelo gigantes de pedestal muito barulhentos, onde elas ficavam com aqueles bobs no cabelo muito tempo, tendo que gritar para serem ouvidas e ouvir.


É o que está ocorrendo atualmente com as bolhas e câmaras de eco no Twitter, no caso as maitacas bolsonaristas que acompanho com a minha IA (Inteligência Artificial), parecem as “vovós” nas cabelereiras no começo dos anos setenta.


Especificamente no caso do Twitter, uma rede social que opera como um antigo tabloide (O termo tabloide designa um formato de jornal que surgiu em meados do século XX, as notícias são tratadas num formato mais curto e o número de ilustrações costuma ser maior do que o dos diários de formato tradicional), a quantidade de "tcha-tchas" é insuportável para um ser humano normal (não bolsonarista) suportar.


Todos os diálogos que ocorrem dentro das bolhas e câmaras de eco das maitacas bolsonaristas são baseados em dicotomias. Uma dicotomia é uma partição de um todo (ou um conjunto) em duas partes (subconjuntos). No caso dicotomias de conjunto exaustivo (tudo deve pertencer a uma parte ou a outra).


O estilo destas maitacas bolsonaristas é tipicamente barroco. Elas utilizam continuamente figuras de linguagem do tipo Antítese (Grego para "oposto à criação", do ἀντί "contra" + θέσις "posição"), que consiste na exposição de ideias opostas. A Antítese ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. O contraste que se estabelece serve, essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos envolvidos, que não se conseguiria com a exposição isolada dos mesmos. Várias antíteses podem ser feitas através de Amor e Ódio, Sol e Chuva, Paraíso e Inferno, Deus e Diabo, Alegria e Tristeza.


A antítese é a figura mais utilizada no Barroco, estilo de época conhecido como arte do conflito, em que também há presença de paradoxos, por apresentar oposições nas ideias expressas. Podemos entender como uma "tese contrária", embora não se trate do mesmo "paradoxo" científico. Aqui trata-se de asseverar algo por palavras contrárias, quando a linguagem corrente não tem força de expressão devido à previsibilidade de palavras que se tornaram corriqueiras.


A antítese é também um dos três elementos da dialética hegeliana: tese, antítese e síntese. No caso das maitacas bolsonaristas todas as teses são baseadas em pós-verdades, todas antíteses são as opiniões e ideais não bolsonaristas e as sínteses são as fake news bolsonaristas.


A dialética hegeliana se processa em três momentos:


1. Primeiro seria a Tese, que corresponde uma ideia, um pensamento.


2. Segundo seria a Antítese – um pensamento diferente da tese, uma ideia contrária.


3. Terceiro seria a Síntese – uma conclusão da tese com a antítese, ou seja, após o debate de ideias chegaria a uma conclusão resumida, no entanto, essa síntese passa a ser uma nova tese para uma dialética.


Essa estrutura dialética, segundo Hegel, seria aplicada a todos os campos do real, desde a aquisição do conhecimento até os processos históricos políticos.

Sendo que esses momentos (tese – antítese – síntese) se sucedem como um movimento em espiral, ou seja, movimento espiral que não se fecha, razão pela qual as maitacas bolsonaristas não param de falar.

Muitos cantores / escritores utilizam o recurso das antíteses em suas obras:


· “Onde queres prazer sou o que dói (...) E onde queres tortura, mansidão (...) E onde queres bandido sou herói”. (Caetano Veloso);


· “Residem juntamente no teu peito/um demônio que ruge e um deus que chora” (Olavo Bilac);


· "Já estou cheio de me sentir vazio, meu corpo é quente e estou sentindo frio." (Renato Russo);


· "Será que eu sou Medieval? Baby, eu me acho um cara tão atual, na moda da nova idade média." (Cazuza);


· "Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada" (Humberto Gessinger);


· “Fácil falar, fazer previsões, depois que aconteceu" (Humberto Gessinger);


· "Mas que seja infinito enquanto dure" (Vinicius de Moraes);


· "Do riso se fez o pranto" (Vinícius de Moraes);


· "...a pele escura e suada do cavalo e a seda branca da blusa..."(Rubem Braga);


· “Viverei para sempre ou morrerei tentando” (Desconhecido);


· "Ele a amava, ela o odiava" (Desconhecido);


· "Hoje fez sol, ontem, porém, choveu muito" (Desconhecido).


Essa figura de linguagem para Twitter foi desenvolvida na Itália por Gianroberto Casaleggio e Beppe Grillo no início deste século. Ela foi arquitetada, assim como os exemplos das músicas, para serem de fácil assimilação para a maioria das pessoas com raciocínio limitado bidimensional e “colarem” fácil na mente da maioria binária das pessoas.


É parte crucial do modus operandi da democracia ciborgue utilizada pela nova direita. Figuras falazes com Trump, Bannon, Olavo de Carvalho e até os parcos Bolsonaros se valem destes recursos no Twitter.


E assim fica esclarecido mais um modo de Manipulação Digital.

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