AS REDES SOCIAIS SÃO O ÓPIO DO SÉCULO XXI

Atualizado: Fev 13

Hoje não vou falar de política ou economia, vou falar sobre vocês, viciados em tecnologia!


O ópio, do latim opium, e este, por sua vez, do grego ὄπιον, transl. ópion (derivado de ὀπός, transl. opós, 'suco' [da planta]), conhecido como anfião no comércio oitocentista português com a China, é uma mistura de alcaloides extraídos de uma espécie de papoula (Papaver somniferum), de ação analgésica, narcótica e hipnótica. O Rasputin original também usava diariamente, na Rússia czarista, para se inspirar em seu “COF” da época.


O uso do ópio mascado, que se espalhou no Oriente, provoca euforia, seguida de um sono onírico; o uso repetido conduz ao hábito, à dependência química e, a seguir, a uma decadência física e intelectual uma vez que é efetivamente um veneno estupefaciente.


As redes sociais, assim como o ópio foi na China, são o novo vício inebriante tecnológico do século XXI. Para quem está lendo o site Estocástico pela primeira vez, vou explicar como é que as redes sociais fazem você ficar viciado.


Já acontece nas religiões monoteístas desde a Pérsia de Zoroastro, o uso da dualidade (Dia contra Noite) aplicado com a emoção (Deus contra Diabo ou Bem contra Mal) é algo que força, inconscientemente as pessoas a escolher um dos lados. É o que chamamos de raciocínio bidimensional, ou seja: em duas dimensões (Esquerda contra Direita). Basta que você coloque qualidades, em uma das opções, que vão de encontro aos valores de quem recebe a informação, ocorrerá uma polarização automática, mas não espontânea, já que o receptor da informação foi induzido subliminarmente para o lado do emissor da informação. Isto é o que chamamos de modulação, que resulta na manipulação. Muitas coisas em nossas vidas são previamente decididas com este truque.


As redes sociais, possuem uma vantagem sobre todas as mídias mais antigas, a interatividade entre o emissor da informação e o receptor da mesma. Desta maneira ela envia e informação e, pelas suas reações, descobre se você gostou ou não.


Porém não é tão simples. As redes sociais possuem uma tecnologia de informação denominada inteligência artificial. Esta tecnologia abrange três outras tecnologias de informação: Big Data (nuvem de informações), deep learning (aprendizado profundo) e machine learning (aprendizado de máquina). Como diria o estripador, vamos desmembrar para simplificar tudo.


Big data consiste em uma rede global de computadores com dispositivos de armazenamento, onde absolutamente tudo sobre você, é armazenado de uma forma estruturada e indexada, deixando a informação facilmente disponível para as outras duas tecnologias de informação usarem.


Deep learning consiste em uma série de algoritmos (programas computacionais em linguagens de programação humanas), que estudam todos os seus padrões através da interação entre as informações que a rede social lhe envia e as suas respostas frente as mesmas. É basicamente tudo sobre você. Provavelmente a deep learning sabe mais sobre você que qualquer familiar seu. E tudo isso também fica arquivado em big data.


Antes da machine learning precisamos explicar outros conceitos de tecnologia de informação já utilizados sobre nós, nas redes sociais, com as outras duas tecnologias já explicadas.


As redes sociais criam diversos grupos virtuais de usuários, invisíveis para nós, como se fossem etiquetas. Então, baseado nos dados sobre nós em big data, a deep learning vai nos colocando diversas etiquetas (e sempre guardando isso em big data) de modo que todas as nossas preferências estejam arquivadas e organizadas. A partir deste ponto das redes sociais vão nos colocando em “n” bolhas de filtro, nos agrupando com pessoas absolutamente desconhecidas, que possuem etiquetas ou conjunto de etiquetas iguais. Mais ou menos como vários pastos com diversos tipos de gado.


Após estarmos agrupados nas “n” bolhas de filtro, as redes sociais, além das pessoas que nos conectamos por escolha pessoal, cria uma “linha de tempo” personalizada baseada em uma tecnologia de informação denominada "microtargeting" (público correto). Esta linha do tempo consiste em outra tecnologia de informação denominada “câmera de eco”, onde informações de pessoas que estão nas mesmas bolhas de filtragens (etiquetas) são apresentadas entre si, bem como informações das redes sociais e seus patrocinadores, relacionadas aos nossos interesses (etiquetas) também.


Essa convivência virtual com pessoas e informações que nos interessam, aumenta o interesse pessoal em passar o maior tempo possível na rede social, interagindo individualmente e em grupos as informações que nos agradam. Isso estimula a produção de serotonina em nossos cérebros, que é basicamente a substância responsável pela nossa sensação de felicidade. Você fica viciado em felicidade...


Neste ponto os usuários (mesma nomenclatura usada para dependentes químicos), já passam a ter três funções dentro da rede social:


Clientes: Já que eles passam a ser o destino das promoções de produtos e serviços, ofertados pelas redes sociais, bem como, em alguns casos, podem até serem clientes diretamente da própria rede social, sobre diversas formas de monetização das mesmas.


Produtos: Somos os produtos que as redes sociais ofertam aos seus anunciantes. E com uma grande vantagem sobre as mídias mais antigas: a rede social sabe tudo sobre nós e pode oferecer a sua inteligência artificial, aos seus anunciantes, nos atingindo em todas as nossas preferências diretamente.


Funcionários: Quanto mais tempo passamos nas redes sociais, mais tempo estamos produzindo conteúdos gratuitamente para as mes,as (salvo raríssimos grandes influenciadores monetizados). Assim nosso conteúdo é utilizado nas câmeras de ressonância (eco), para “prender” mais usuários por mais tempo, bem como atrair novos.


Mas ainda nem chegamos na parte mais “sofisticada”, a tecnologia de informação final da tríade da inteligência artificial, a machine learning.


A machine learning é diferente da deep learning. A primeira apenas identifica padrões, ao passo que a segunda cria padrões. Isso através daqueles conceitos apresentados no começo do texto:


  • Dualidade

  • Maniqueísmo

  • Raciocínio bidimensional

  • Modulação


Levando você a ser manipulado pela machine learning subliminarmente, sem ter a menor consciência disso.


A tecnologia de informação de machine learning não só usa algoritmos feitos por seres humanos, mas também cria seus próprios algoritmos. Ou seja: ela aprende, raciocina e cria. E para fazer isso ela precisa modular você entre o que você gosta e o que não gosta, para criar novos gostos que você pode adquirir, baseados na evolução dos já existentes.


Para chegar nesta meta a machine learning precisa das suas emoções. Assim usando a modulação ela vai criando e levando você para interesses da própria rede social e de seus anunciantes. É a velha estratégia zoroastrista religiosa, agora aplicada não através da religião, mas da tecnologia de informação. As redes sociais têm bem mais que 50 tons de cinza para lhe ofertar, tenha certeza!


Vocês não têm ideia da diversidade de especialistas científicos que as redes sociais possuem, juntamente com o pessoal de tecnologia de informação, para criarem os mundos dos quais vocês são usuários pelo maior tempo possível, basicamente viciados e dependentes deles até para se informar, subliminarmente direcionados economicamente e, às vezes, até politicamente.


Deste modo vamos fazer uma analogia final com o início deste texto:


O uso das redes sociais, que se espalhou no planeta, provoca euforia, seguida de um sono onírico; o uso repetido conduz ao hábito, à dependência química e, a seguir, a uma decadência física e intelectual uma vez que é efetivamente um veneno estupefaciente.

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